FSLTL anuncia fim do tráfego ao vivo via FR24

Microsoft Flight Simulator

Um dos pilares do tráfego aéreo ao vivo no Microsoft Flight Simulator, o FSLTL, confirmou que vai perder o acesso gratuito à API do FlightRadar24 em 30 de abril de 2026. Na prática, isso significa que o injetor deixará de usar dados em tempo real e passará a funcionar apenas como injetor estático de aeronaves, enquanto o time tenta encontrar um novo fornecedor de dados.

Desde o lançamento do injetor em 2022, o grande diferencial do FSLTL era justamente espelhar no simulador o que estava voando no mundo real naquele momento, usando a base do FR24. Agora, com o fim desse acesso, o addon entra em uma fase de incerteza, apesar de o pacote de modelos e pinturas continuar vivo e atualizado.

Como o FSLTL chegou até aqui

O FSLTL apareceu em 2021 como uma alternativa gratuita e relativamente simples a soluções como AIG, oferecendo mais de 700 liveries em alta resolução, modelos nativos em glTF otimizados e tráfego ao vivo injetado diretamente no MSFS a partir do FlightRadar24. Rapidamente virou o combo favorito de muitos simmers cansados das limitações do tráfego padrão do simulador e da instalação trabalhosa de outros pacotes.

Esse sucesso, porém, sempre dependeu de um detalhe frágil: o uso de uma API gratuita de um serviço comercial. O próprio time do FSLTL admite que o acordo vivia “de favor” e que o FR24 poderia encerrar o acesso a qualquer momento, algo que acabou acontecendo agora, pressionado também por outros apps pagos que se apoiavam na mesma API sem retorno financeiro para a empresa.

Por que o FlightRadar24 ficou inviável

O ponto central é custo. A equipe do FSLTL chegou a estudar um plano de baixo custo que o usuário pudesse contratar diretamente com o FlightRadar24 e usar dentro do injetor, mas essa opção nunca saiu do papel. Com a tabela oficial de preços na mesa, o cenário ficou impraticável: a estimativa do time é que um único voo de três horas, com cerca de 20 aeronaves de IA na área, poderia passar de 20 dólares em dados.

Não é coincidência que a maioria dos injetores de tráfego e ATC pagos para MSFS 2020 e 2024 não use dados ao vivo nativos: simplesmente não fecha a conta. Sem um acordo específico com o FR24 ou outro provedor, manter o modelo atual do FSLTL significaria ou cobrar caro do usuário final, ou bancar um custo que o projeto comunitário não tem como absorver.

O que muda no injetor e possíveis caminhos

Até o dia 30 de abril, ou antes disso, o time promete lançar uma nova versão do injetor removendo completamente as chamadas à API do FlightRadar24. A partir daí, o FSLTL passa a atuar apenas como injetor estático: os modelos e liveries continuam aparecendo em aeroportos e rotas, mas sem relação direta com o que está voando no mundo real naquele momento. Em paralelo, os FSLTL Base Models – modelos, pinturas e arquivos VMR – seguem intocados e continuarão recebendo updates, independentemente do destino do injetor.

Para o futuro, a equipe lista quatro cenários: encontrar um fornecedor de dados ao vivo gratuito; fechar parceria com um provedor de baixo custo que o usuário possa assinar por conta própria; manter o injetor como estático para sempre; ou, no pior caso, encerrar o projeto do injetor. Eles deixam claro que vão continuar buscando alternativas e pedem ajuda da comunidade, especialmente de quem tiver contato direto com empresas de dados de voo ao vivo, via Discord oficial do projeto.

Alternativas de tráfego ao vivo para o simmer

Enquanto o FSLTL se reorganiza, quem não abre mão de tráfego ao vivo tem algumas rotas de fuga. Uma combinação já usada por muitos é o PSXT, ferramenta gratuita, com assinatura do RealTraffic, que gira em torno de 9 dólares por mês e oferece dados em tempo real, usando os modelos do próprio FSLTL para dar vida aos céus do MSFS. Outra opção é revisitar o AIG, que continua gratuito e cobre bem o tráfego baseado em horários programados, ainda que sem o mesmo grau de “espelho do mundo real” que o FSLTL com FR24 oferecia.

Há ainda quem simplesmente mantenha os modelos do FSLTL instalados e use o tráfego “Real-Time Online” nativo do MSFS 2024, aproveitando as liveries e efeitos do pacote com os dados de tráfego da própria Microsoft. Não é a mesma coisa em termos de controle e fidelidade, mas pode ser um meio-termo interessante para quem não quer abrir mão de ver o céu movimentado sem complicar demais a configuração.

Resumo e Análise Editorial FlySimBR

A perda do FlightRadar24 expõe o calcanhar de Aquiles de qualquer solução de tráfego ao vivo baseada em dados comerciais: sem acordo formal, o castelo desaba rápido; o FSLTL continua valioso como pacote de modelos, mas o injetor entra em modo de sobrevivência, e o cenário mais realista hoje é vermos o projeto migrar para um modelo híbrido com provedor pago externo ou se consolidar como injetor estático, enquanto o usuário avançado corre para combinações como PSXT + RealTraffic e o resto da comunidade se apoia cada vez mais no tráfego online nativo do MSFS.

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