A Flysimware abriu o jogo sobre o futuro do estúdio no Microsoft Flight Simulator 2024: menos jatos, mais bimotores clássicos analógicos e uma leva de conversões realmente nativas para a nova geração do sim. O roadmap, divulgado no Discord oficial, deixa claro que o estúdio quer se consolidar onde já provou ter público fiel: aviação geral complexa, porém ainda acessível em preço e em tempo de desenvolvimento.
Ao mesmo tempo, a desenvolvedora admite que, por enquanto, está saindo do segmento de jatos, mesmo tendo um Learjet 35A de terceira geração cheio de sistemas avançados. No lugar disso, entram versões nativas do Sierra C24R e do Cessna 414AW Chancellor para MSFS 2024, o avanço do Piper Chieftain e até um novo brinquedo de solo: um pushback tug dirigível pelo próprio piloto virtual.
Para completar, a Flysimware vai deixar a comunidade escolher qual será o próximo twin analógico, com uma votação no Discord envolvendo nomes como Cessna 441 Conquest II, Cessna 402C em pintura Cape Air e o Mitsubishi MU-2B-60. É um roadmap curto, mas com decisões estratégicas bem claras.
Atualizações imediatas: Sierra, Learjet e um pushback inesperado
No curto prazo, a primeira novidade é uma grande atualização do Sierra C24R para MSFS 2020, prevista para cerca de uma semana. Esse update adiciona bindings de hardware nativos, um novo timer de tanque de combustível e um sistema de climatização retrabalhado. Mais importante: essa base técnica será reaproveitada na versão totalmente nativa para MSFS 2024, com todos os recursos modernos que o sim permite, incluindo walk-around completo.
O Learjet 35A para MSFS 2024 também entra na fila com um update robusto em uma ou duas semanas, trazendo novo design de assentos, extintor funcional, capas de pitot e motores interativas e, principalmente, o sistema TrueSim de sujeira dinâmica na fuselagem, que acumula com o tempo e é lavada pela chuva ou manualmente. Esse mesmo pacote de desgaste visual já estreou no Lancair Legacy, que agora entra em fase final de polimento por cerca de 30 dias, até a Flysimware considerar o projeto concluído.
Pushback dirigível gratuito e expansão do TrueSim
A surpresa da semana é um pushback tug totalmente dirigível, incluído gratuitamente na versão 0.38 do Lancair Legacy. Em vez de um simples menu de pushback, o usuário pode literalmente dirigir o trator pelo pátio, inclusive com controle via gamepad, e até circular desconectado da aeronave. A Flysimware aproveita o sistema de pushback padrão da Asobo, sem reinventar a roda, o que deve ajudar na compatibilidade e estabilidade.
A ideia é que esse tug seja levado para outros produtos do estúdio, incluindo o Learjet 35A nativo e futuros lançamentos. Em paralelo, o sistema TrueSim de sujeira e desgaste, que começou no Legacy e agora chega ao Learjet, deve se espalhar também para as conversões nativas do Sierra C24R e do Cessna 414AW Chancellor, criando uma identidade visual consistente de “aeronave viva” dentro do catálogo da Flysimware.
Sierra C24R e Cessna 414AW Chancellor nativos no MSFS 2024
O coração do anúncio está em duas conversões muito aguardadas: Sierra C24R e Cessna 414AW Chancellor ganham versões realmente nativas para MSFS 2024, com suporte completo a walk-around, inspeções interativas, TrueSim dirt system e o pacote de recursos padrão da nova plataforma. Para quem já voa esses modelos desde o MSFS 2020, a Flysimware vai oferecer upgrade por 10 dólares, um valor relativamente amigável considerando o retrabalho envolvido.
Entre os dois, o 414AW é claramente a estrela comercial. É um dos produtos mais populares do estúdio e vinha sendo pedido há bastante tempo em versão nativa 2024. A meta atual é lançar o Chancellor nativo em cerca de um mês, mantendo o Sierra logo atrás na fila. Para o público brasileiro que gosta de voar IFR em bimotor piston pressurizado, esse 414 atualizado tende a virar escolha quase obrigatória.
Por que a Flysimware está se afastando dos jatos
A parte mais sincera do roadmap é a explicação sobre a pausa em jatos. Segundo a Flysimware, o nível de realismo que o estúdio persegue hoje torna o desenvolvimento de jatos extremamente demorado e caro. O próprio Learjet 35A é citado como exemplo: sistemas elétricos, hidráulicos, de combustível e pneumáticos modernos, construídos com apoio de pilotos reais, mas com retorno financeiro abaixo do esperado. O preço precisou ser reduzido porque o mercado não aceitou o valor que refletia o esforço investido.
Já os bimotores GA permitem aprofundar sistemas sem prender a equipe por anos em um único projeto, mantendo o preço dentro da faixa típica de aviação geral. Em vez de correr atrás do “maior avião possível”, a Flysimware assume que vai se concentrar onde vende bem e consegue entregar profundidade técnica com mais previsibilidade, algo que, na prática, tende a beneficiar quem gosta de twins clássicos analógicos.
Próximo twin decidido pela comunidade
Depois do Piper Chieftain, que segue avançando rumo à fase de beta, a Flysimware quer que a comunidade escolha o próximo bimotor analógico. A votação acontece via Discord e parte de uma lista inicial com Cessna 441 Conquest II, Cessna 402C em esquema Cape Air e Mitsubishi MU-2B-60, com espaço para mais um ou dois candidatos sugeridos pelos usuários. A caixa de sugestões já explodiu com pedidos de Fairchild Metroliner, DC-3 “de verdade”, Beech 18, King Air 90 e Dornier 328, entre outros.
Dois filtros, porém, limitam o resultado: só entram bimotores GA, nada de jatos, e o acesso a aeronaves reais pesa muito na decisão final. Como a Flysimware já tem acesso a um Cessna 441 e não dispõe de um MU-2B para estudo detalhado, o Conquest II sai na frente se a disputa ficar equilibrada. No fim, o recado do roadmap é claro: o estúdio sabe onde é forte, não quer mais apostar alto em jatos e está disposto a dividir com a comunidade a escolha do próximo clássico analógico.
Resumo e Análise Editorial FlySimBR
A estratégia da Flysimware faz sentido econômico e, para quem curte twins clássicos no MSFS 2024, é excelente notícia, mas a pausa em jatos expõe um problema maior do mercado: poucos simmers topam pagar o que um business jet realmente profundo custa, o que empurra desenvolvedores para nichos “mais seguros”; se o estúdio conseguir entregar conversões nativas bem otimizadas do 414 e do Sierra, manter o TrueSim coerente em toda a frota e usar a votação do próximo twin de forma transparente, tem tudo para se firmar como referência em bimotores GA complexos, desde que não abandone totalmente a ambição de voltar aos jatos quando o equilíbrio entre custo e demanda melhorar.


