Synaptic Airbus A220 é adiado e aprofunda sistemas
O Synaptic Airbus A220 segue em desenvolvimento para o Microsoft Flight Simulator, mas a longa espera vai continuar. A equipe confirmou que o cronograma escorregou oficialmente para 2026, frustrando quem ainda tinha esperança de ver o projeto concluído até o fim de 2025.

Por outro lado, o atraso vem acompanhado de avanços importantes em VNAV, lógica de sistemas e comportamento emergente, indicando que o objetivo da Synaptic Simulations é posicionar o A220 no mesmo patamar de profundidade de produtos como PMDG e Fenix.
Synaptic Airbus A220: de freeware a payware de alto nível
Quem acompanha o Synaptic Airbus A220 desde o início lembra que o projeto nasceu como freeware open-source. A transição para um produto payware sob o guarda-chuva da iniBuilds marcou uma virada de chave importante, elevando a ambição e o escopo do desenvolvimento.
Esse novo ciclo, agora com mais recursos e infraestrutura, tem foco em simular de forma muito mais profunda a arquitetura singular do A220, que, apesar de levar o nome Airbus, carrega fortemente o DNA da antiga Bombardier C-Series, com filosofia e lógica bem diferentes da família A320.
Migração completa do FMS e nova base de sistemas
Um dos marcos técnicos mais relevantes deste ano foi a migração do Flight Management System para uma estrutura muito mais robusta e eficiente. Segundo a Synaptic, esse novo framework permite:
Integração mais estreita entre sistemas
O FMS agora está mais profundamente acoplado às funções de voo e a outros sistemas de bordo, algo essencial para retratar o alto grau de automação do A220 real. Esse acoplamento mais rígido deve impactar diretamente na qualidade do LNAV, VNAV e na interação com o controle de motores.
Lógica de estados mais complexa e EICAS detalhado
A equipe ampliou de forma significativa a complexidade da lógica de estados dos sistemas. O número de mensagens no EICAS já ultrapassa a marca de 100, permitindo que a aeronave identifique e reporte uma grande variedade de condições específicas, anomalias e falhas que normalmente passam despercebidas em add-ons menos avançados.
Aprimoramento de Fly-By-Wire e engine control
O trabalho também continua firme no fly-by-wire e no controle de motores, para que o A220 se comporte como a máquina de “Control Mode” moderna que ele é na aviação real. A prioridade é entregar uma sensação de pilotagem coerente com o envelope de proteção e com a filosofia de automação da aeronave.
O que falta: VNAV, LNAV e sistemas essenciais
Apesar do avanço, ainda existem alguns obstáculos relevantes antes que o Synaptic Airbus A220 esteja pronto para o público. A lista de pendências para os próximos meses inclui pontos críticos de navegação e sistemas básicos.
Validação de LNAV e integração do VNAV
A Synaptic relata que está em fase de validação do LNAV para garantir que a aeronave siga corretamente procedimentos complexos ao redor do mundo, em diferentes tipos de cenários e bases de dados. Em paralelo, o VNAV está sendo incorporado à pipeline de cálculo da trajetória vertical, algo essencial para quem busca voos IFR completos e realistas.
Respeito aos limites de performance reais
Outro foco é ajustar os parâmetros de performance da aeronave, garantindo que os sistemas de guiagem e controle dos motores respeitem fielmente os limites operacionais do A220. Isso inclui comportamento em climb, cruise, descida, restrições de potência e envelope de velocidades.
Sistemas ainda ausentes: pressurização e autobrake
Alguns sistemas importantes, como pressurização e autobrakes, ainda estão em fase de finalização. Embora sejam considerados “faltantes”, a equipe indica que fazem parte da reta final de implementação, antes de entrar em ciclos intensivos de polimento e correção de bugs.
Modelagem por comportamento emergente e foco em realismo
Um dos pontos que mais chamam atenção no desenvolvimento do Synaptic Airbus A220 é a adoção de uma abordagem de comportamento emergente. Em vez de simplesmente replicar resultados, a Synaptic está construindo os sistemas a partir de seus componentes básicos.
O projeto conta, por exemplo, com cerca de 256 circuit breakers e quase 1.000 conexões elétricas modeladas. Com essa granularidade, as falhas, avisos e interações entre sistemas passam a surgir naturalmente, como consequência da simulação da arquitetura real, e não de scripts isolados.
Esse tipo de abordagem é típica de produtos high-end e explica tanto o nível de expectativa da comunidade quanto o prolongamento do cronograma até 2026.
Beta mais ativo, mas sem data firme
De acordo com a Synaptic, os pacotes de teste estão sendo enviados com mais frequência para a equipe de beta testers, indicando que o ritmo de desenvolvimento aumentou. Ainda assim, não há qualquer indicação de janela concreta de lançamento, além da confirmação de que a aeronave não verá a luz do dia antes de 2026.
Para quem acompanha o projeto desde os tempos de freeware e já viu a migração para o ecossistema iniBuilds, o cenário atual é de expectativa cautelosa: a promessa é de um A220 extremamente profundo e fiel, mas a paciência da comunidade de simulação de voo está sendo testada ao limite.
Resumo e Análise Editorial FlySimBR
O adiamento do Synaptic Airbus A220 para 2026 pode decepcionar, mas faz sentido dentro da ambição declarada do projeto. A decisão de apostar em comportamento emergente, modelagem detalhada de circuitos e lógica complexa de FMS coloca o add-on em uma categoria de risco alto: ou se tornará uma das referências absolutas de alta fidelidade no Microsoft Flight Simulator, ou será lembrado como um desenvolvimento que mirou muito alto e demorou demais. Do ponto de vista editorial, é positivo ver um desenvolvedor recusando atalhos e priorizando profundidade, mas a ausência de marcos públicos claros e de comunicação mais objetiva sobre etapas e prioridades pode desgastar a confiança dos simmers. Se a Synaptic conseguir manter a transparência e demonstrar, com previews consistentes, a evolução de VNAV, sistemas e falhas, o A220 tem potencial para justificar a espera e competir diretamente com os gigantes do segmento.

