Review Honeycomb Echo Aviation Controller: gamepad para sim de voo
O Honeycomb Echo Aviation Controller chega com uma proposta clara: ser o “controle de videogame” pensado desde o início para simuladores de voo em PC, como MSFS 2020, MSFS 2024 e X-Plane 12. Depois de vários protótipos mostrados em eventos, a versão final promete unir acessibilidade, portabilidade e um nível de controle que joysticks genéricos simplesmente não entregam.
Usei o Echo exatamente como ele se propõe: como solução rápida para voos casuais, sem montar todo o cockpit na mesa. A pergunta que guiou o teste foi simples: dá para substituir manche, pedais e quadrante de potência por um único gamepad dedicado à simulação, sem transformar cada pouso em loteria?
Logo na abertura da caixa, fica claro que a Honeycomb quer posicionar o Echo como produto premium portátil. O controle vem dentro de um estojo rígido cinza, com zíper robusto, espaço para o cabo USB-C de 1,2 m e para os módulos intercambiáveis de layout (GA, Airbus e Boeing). É o tipo de detalhe que facilita a vida de quem leva o sim na mochila, seja para um notebook gamer ou setup secundário.
Ergonomia, construção e sensação em mãos
Na mão, o Echo lembra um controle de console moderno, com pegada confortável e boa distribuição de peso graças à bateria interna e ao módulo wireless. O grip traseiro texturizado ajuda em sessões longas, e todos os botões principais ficam ao alcance de mãos médias sem contorcionismo. Não chega ao nível de refinamento de um controle de Xbox, mas está bem acima de gamepads genéricos que muitos simmers acabam usando por falta de opção dedicada.
O peso, que nos primeiros protótipos parecia leve demais, agora está no ponto: sólido, sem sensação de brinquedo barato. O ponto mais polêmico é o stick de câmera no estilo “pirâmide”, herança do Alpha Flight Controls. Ele funciona, mas o formato pontudo e a posição pouco ortodoxa cansam e destoam do resto do design, que é bem mais moderno e intuitivo.
Controles, funções extras e peças intercambiáveis
Em termos de quantidade de comandos, o Echo surpreende para um dispositivo tão compacto. Na frente, há quatro botões principais, dois sticks direcionais, quatro eixos, um trim wheel com feedback tátil satisfatório, botões de opção e um LED Honeycomb que indica o status do controle. Na parte superior, quatro shoulder buttons; atrás, um slider de leme; e, na frente, três destaques que fazem diferença no dia a dia: alavanca de flap, comando de trem de pouso e parking brake dedicados, algo raro em um gamepad.
O charme extra fica por conta das peças intercambiáveis que mudam o “tema” do controle entre GA, Airbus e Boeing. A mudança é mais estética do que funcional, mas o formato de cada módulo ajuda a entrar no clima do tipo de voo: um layout mais “Airbus” para voar A320 no MSFS, outro mais “Boeing” para 737, e assim por diante. É um toque simples, porém bem pensado para quem gosta de imersão sem partir para hardware pesado.




Experiência em voo: precisão, limitações e uso no dia a dia
A configuração é direta: conectar o dongle USB, apertar o botão Honeycomb para parear e sair voando. A conexão se mostrou estável, com autonomia real entre 10 e 15 horas; em voos longos, usar o cabo USB-C enquanto joga não trouxe problemas. Nos simuladores, o eixo principal oferece controle suave e preciso, e o trim wheel se torna rapidamente um aliado indispensável, com cliques bem definidos que ajudam a “sentir” o ajuste fino de atitude.
O slider de leme na traseira é uma solução inteligente para quem não tem pedais, mas peca pelo curso curto: é fácil exagerar no rudder em táxi ou correção de vento cruzado. Já o trem de pouso com “clunk” mecânico e o parking brake dedicado são pequenos prazeres que aproximam a experiência de um setup mais completo. O maior tropeço é a navegação de menus: hoje o Echo praticamente não conversa com as interfaces de MSFS e X-Plane, obrigando o uso constante de mouse e teclado. A Honeycomb promete corrigir isso via firmware do dongle, mas sem prazo definido.




Compatibilidade, público-alvo e custo-benefício
O Echo Aviation Controller testado é exclusivo para PC, com suporte oficial a Microsoft Flight Simulator 2020, MSFS 2024 e X-Plane 12, mediante instalação de firmwares e perfis disponíveis no site da Honeycomb. Falta um software unificado que detecte o dispositivo e aplique tudo automaticamente, algo que faria muita diferença para o usuário menos técnico. Uma versão específica para Xbox está prometida para mais tarde em 2026, o que deve ampliar bastante o público.
Por US$ 149,99, o pacote entrega um controle robusto, wireless, com estojo de transporte, boa ergonomia e uma quantidade de comandos que cobre tranquilamente voos VFR, IFR leve e até airliners em modo mais casual. Não substitui um setup completo de yoke + pedais + throttle quadrant em termos de imersão, mas essa nem é a proposta: o Echo brilha como solução de “pegar e voar” para quem divide a mesa entre trabalho e simulação ou quer algo sério para levar na mochila, sem cair em gamepads genéricos.




Resumo e Análise Editorial FlightSimBR
O Honeycomb Echo Aviation Controller acerta em cheio na ideia de um gamepad realmente pensado para simuladores de voo, com ótima construção, muitos comandos úteis e foco em acessibilidade, mas ainda tropeça em detalhes como navegação de menus limitada, stick de câmera desconfortável e ausência de software de gestão, o que não impede que seja hoje uma das opções mais interessantes para quem quer voar MSFS ou X-Plane com seriedade sem encher a mesa de hardware, desde que você aceite o compromisso entre praticidade e imersão máxima.


