Rowsfire B107: vale o preço do overhead 737?

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Review Rowsfire B107 B737 Overhead Panel: premium só no preço?

Overhead dedicado de Boeing 737 é o sonho de muita gente que voa PMDG, iFly ou Zibo. O Rowsfire B107 chega prometendo ser o “flagship” da marca, com quase todo o teto do 737 em um único painel USB, compatível com MSFS 2020, MSFS 2024 e X-Plane. Mas com preço de US$ 699,99 (já com impostos e frete global), a pergunta inevitável é: esse hardware realmente entrega experiência premium ou só cobra como se fosse?

O B107 tenta ir além da linha Airbus A107 da própria Rowsfire, cobrindo uma área maior do overhead e adicionando mais funções físicas. A proposta é clara: tirar o máximo possível do mouse da sua rotina de voo e colocar tudo na ponta dos dedos. Na prática, porém, a execução mostra um abismo entre ambição e acabamento.

Na caixa, o usuário encontra o painel, uma bolsa protetora da Rowsfire, cabo USB-C para USB-A e um saquinho de arruelas, tampas e borrachinhas para instalar manualmente em switches e luzes. A própria marca envia por e-mail um guia explicando como proteger as chaves de bateria e luzes de emergência e como aplicar os pequenos inserts de silicone branco em cada luz. O processo leva poucos minutos, mas já acende a primeira luz amarela: em um produto de quase 700 dólares, é razoável receber um “kit de montagem fina” em vez de algo pronto de fábrica?

Software próprio melhora, mas hardware tropeça feio

Se antes os produtos Rowsfire dependiam de MobiFlight e uma salada de links no Google Drive, agora o B107 usa software próprio da marca. O manual impresso é objetivo, e a configuração inicial leva poucos minutos. Nesse ponto, há um avanço real: plugou, configurou o perfil e o painel já conversa com PMDG 737, iFly 737 MAX e Zibo Mod sem sofrimento, tanto no MSFS quanto no X-Plane.

O problema é que, quando você começa a mexer nos controles, a ilusão de “cockpit profissional” desmancha rápido. São 58 switches, 10 knobs e 4 tampas de proteção em um corpo metálico de 2,8 kg, com dimensões bem próximas do overhead real. Só que a sensação ao toque é de plástico 3D printado barato, com folga excessiva em chaves e seletores, tampas de bateria e emergência totalmente em plástico e sem nenhum toggle com cara de Boeing de verdade, como os de landing lights. Para um produto vendido como topo de linha, o feeling é mais de protótipo de feira do que de peça definitiva.

Acabamento irregular e falha de fábrica inaceitável

O chassi metálico até passa boa impressão à primeira vista, mas basta olhar de perto para notar cortes ásperos na chapa, bordas pouco lixadas e pintura preta descascando em poucos dias de uso. É aquele tipo de detalhe que não afeta o FPS, mas derruba completamente a sensação de produto premium. Em um mercado onde cada vez mais gente monta home cockpit sério, esse tipo de economia no acabamento pesa.

Mais grave que estética é o problema de qualidade de montagem. A unidade testada – e relatos de outros clientes confirmam – veio com o switch de probe heat esquerdo simplesmente sem funcionar. A Rowsfire admite o defeito e manda um vídeo ensinando o usuário a abrir o painel e consertar o hardware por conta própria. Não é bug de firmware, é retrabalho físico em um equipamento de US$ 700 recém-saído da caixa. A empresa diz que as próximas unidades já virão corrigidas, mas isso não apaga o fato: quem comprou agora virou beta tester caro.

Experiência no simulador: quando funciona, é legal… mas falta

Quando o B107 está configurado e os controles respondem, a imersão aumenta, sim. Ver os dígitos de pressurização mudando no painel físico enquanto o valor acompanha no PMDG, acionar fuel pumps e ver o comportamento coerente no voo, ligar anti-ice e ter os indicadores acendendo no hardware é exatamente o que se espera de um overhead dedicado. O EGT gauge em tempo real é um dos pontos altos, ainda que faça um ruído mecânico perceptível, facilmente mascarado pelo som do simulador.

Mesmo assim, a experiência está longe de ser redonda. Há um pequeno delay entre girar o knob de pressurização e ver o valor mudar no sim, o que quebra um pouco a sensação de resposta imediata. O dimmer de backlight funciona, mas o knob gira 360 graus sem batente e você precisa passar além da marca impressa para o ajuste surtir efeito. E a escolha de colocar apenas um seletor de wiper, que no PMDG 737 atua apenas no lado do First Officer, é simplesmente estranha – a maioria dos simmers voa do lado do Captain, e fica sem controle físico dessa função.

Preço de cockpit, entrega de painel intermediário

No dia a dia de voo, o Rowsfire B107 até cumpre parte da promessa: reduz o uso do mouse, concentra boa parte do overhead do 737 em um único módulo e conversa com os principais addons de linha aérea no MSFS e no X-Plane. Mas cada acerto vem acompanhado de um “porém”: construção frouxa, plásticos com cara de impressora 3D, falha de switch de fábrica, decisões de layout discutíveis e detalhes de ergonomia que parecem não ter sido testados a fundo por quem realmente voa 737 virtual com frequência.

O resultado é um produto que, se custasse metade do preço e viesse sem defeitos de hardware, poderia ser encarado como um bom atalho para quem quer um overhead sem entrar no mundo dos cockpits profissionais. Do jeito que está, com etiqueta de US$ 699,99 e pedindo ao usuário para abrir o painel e consertar peça interna, o B107 se posiciona como premium só na tabela, não na experiência. Em um nicho com poucas opções de overhead 737 “plug and play”, é triste ver uma oportunidade dessas escorregar justamente no básico: controle de qualidade e sensação de robustez.

Resumo e Análise Editorial FlightSimBR

O Rowsfire B107 é um daqueles casos em que a ideia é ótima, a integração com MSFS e X-Plane é promissora, mas a execução não acompanha o preço: por quase 700 dólares, o simmer brasileiro tem direito de esperar metal bem acabado, switches firmes, zero defeito de fábrica e decisões de layout pensadas para quem voa do lado do Captain; do jeito que chega hoje, o B107 parece mais um protótipo caro do que um overhead definitivo, e só faz sentido para quem está desesperado por um painel 737 físico e disposto a aceitar compromissos que, em 2026, já não deveriam mais existir nesse segmento.

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