Quem voa PMDG 737 ou iFly 737 MAX no MSFS e sonha com um overhead físico acessível finalmente tem um candidato: o Rowsfire B107. Custando cerca de US$ 660, ele ocupa hoje praticamente um monopólio nesse nicho, entregando um painel metálico retroiluminado, compatível com MobiFlight e cobrindo os principais sistemas do 737, de APU e fuel pumps a pressurização e anti-ice. A experiência de alcançar um painel real em vez de caçar switch com o mouse é, sem exagero, outro nível de imersão.
O problema é que “existe e funciona” é um padrão baixo para um hardware desse preço. O B107 alterna momentos de brilho com decisões de projeto difíceis de entender, típicas de produto ainda em primeira geração. Ele é divertido, útil e, em muitos aspectos, bem construído, mas deixa claro que ainda há espaço para uma revisão de fábrica corrigir arestas que não deveriam ter passado.
Na caixa, o usuário não encontra um painel pronto para uso imediato. A Rowsfire envia o B107 com um filme protetor aplicado na face acrílica e, para facilitar a remoção, vários componentes vêm desmontados: porcas sextavadas dos switches, proteções vermelhas e pretas e alguns caps brancos. A ideia é simples: você tira o filme com tudo “nu” e depois monta, evitando bordas levantadas e bolhas sob as peças.
Na prática, esse processo leva algo em torno de 30 minutos, não “alguns minutinhos” como o marketing sugere. Não é complicado, mas exige calma, principalmente porque a superfície acrílica risca com facilidade se você encostar ferramenta metálica perto dos switches. A boa notícia é que as porcas fazem diferença: sem elas, os botões ficam frouxos; com tudo bem apertado, o painel ganha firmeza e sensação de produto sério. Ainda assim, em um hardware de mais de meio salário mínimo em dólar, ter que montar parte do equipamento soa mais como economia de linha de produção do que benefício real para o simmer.
Tamanho, montagem e integração com o MSFS
Com 40,5 x 28,5 x 6 cm e 2,8 kg, o B107 encontra um bom equilíbrio entre presença física e usabilidade em setup de mesa. Ele é grande o suficiente para lembrar o overhead real do 737, mas compacto o bastante para caber em frente ao monitor ou em um braço VESA robusto. Para quem está montando cockpit mais sério, é perfeitamente viável instalar o painel no teto, como no avião de verdade – e a diferença entre clicar com o mouse e literalmente “alcançar o overhead” é enorme em termos de imersão.
O ponto fraco é que a Rowsfire não inclui nenhum suporte simples de mesa, algo que seria quase obrigatório nesse patamar de preço. Do lado do software, o cenário é melhor: o app da Rowsfire cuida do firmware e do bridge com o MSFS, oferece modo de debug para testar cada switch e, combinando o app com perfis MobiFlight, o painel conversa bem com a família PMDG 737. Há um detalhe chato: para que os displays de FLT ALT e LAND ALT funcionem no PMDG 737-800, é preciso editar o arquivo 737_Options.ini e ativar o bloco [SDK] com EnableDataBroadcast, algo simples, mas que mostra que a integração ainda não é totalmente plug-and-play.
Construção: metal convincente, detalhes estranhos
Em termos de estrutura, o B107 é um salto claro em relação ao Airbus A107 da própria Rowsfire. O chassi em alumínio passa sensação de robustez, a frente em acrílico de 4 mm com impressão de alta definição é bonita e, no geral, o painel parece um produto mais maduro. A maioria dos switches tem clique firme e agradável, os rotativos oferecem resistência na medida e os botões com retorno por mola voltam ao centro com um “snap” que convida você a usar o hardware em vez do mouse.
O problema é a falta de consistência. Alguns knobs usam plástico bem acabado, outros – como o de crossfeed – parecem saídos direto de uma impressora 3D doméstica, com textura evidente e visual destoando do resto. O switch de landing light é um toggle genérico, sem o visual característico Boeing, quebrando a ilusão de réplica fiel. Pior: vários knobs não têm batente físico claro no fim do curso, permitindo que você force um pouco além e desalinhando o ponteiro em relação às marcações. Não é algo que vá acontecer o tempo todo, mas é um risco de desgaste desnecessário. Para completar, os annunciators âmbar são visivelmente mais fracos que os azuis, exigindo ambiente mais escuro para leitura confortável.
Experiência em voo com PMDG 737
Quando o assunto é uso real no MSFS, o B107 se redime. Com o software configurado e o ajuste no ini do PMDG feito, o painel responde de forma convincente: há um pequeno atraso entre o toque físico e a ação no sim, mas nada que atrapalhe. O grande momento é o cold and dark: ligar bateria, acionar fuel pumps um a um, ouvir o APU subir enquanto o EGT sobe na tela e no gauge analógico do painel é exatamente o tipo de ritual que faz um cockpit caseiro ganhar vida.
Esse EGT gauge, aliás, é um dos grandes acertos: uma agulha analógica real acompanhando a temperatura do APU, algo que a Rowsfire inicialmente planejava deixar para uma versão “Pro”, mas acabou incluindo no pacote padrão após feedback da comunidade. Os annunciators de fuel pump, anti-ice, pressurização e iluminação externa funcionam como esperado, e os seletores de IRS, dome light e cooling conversam bem com o PMDG. Há concessões, como o controle único para os wipers, que no 737 real são independentes, mas nada que quebre a experiência para o público-alvo.
Resumo e Análise Editorial FlySimBR
O Rowsfire B107 é, ao mesmo tempo, o melhor e o único overhead de 737 pronto para MSFS nessa faixa de preço, entregando imersão real e construção metálica convincente, mas tropeçando em detalhes que não combinam com um hardware de US$ 660, como montagem obrigatória, knobs sem batente, peças com cara de protótipo e iluminação desigual; para o entusiasta hardcore de 737 que sabe exatamente o que está comprando e aceita pagar o “imposto de primeira geração”, ele faz sentido e é divertido, mas quem é mais exigente com acabamento talvez deva esperar uma revisão de fábrica ou concorrência aparecer.












