Navigraph anuncia três novidades no Charts

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Navigraph anuncia três novas funções no Charts após ano cheio de melhorias

A Navigraph aproveitou o FSWeekend 2026, em Lelystad, para fazer um balanço de um ano de atualizações e anunciar três novas funções que chegam em breve ao Navigraph Charts, sem custo extra para quem já assina o plano ilimitado. Não é o tipo de anúncio explosivo de uma nova aeronave para MSFS, mas mexe diretamente com o dia a dia de quem planeja voo com SimBrief e navega usando Charts em qualquer simulador.

O CEO Magnus Axholt abriu a apresentação lembrando a origem quase improvisada da empresa, há 23 anos, quando ele e o cofundador foram bater na porta da Airbus em Toulouse e acabaram programando o primeiro Navigraph Charts em uma mesa de cozinha. A história ajuda a explicar o estilo da marca: pouco marketing, muita infraestrutura silenciosa que hoje sustenta a rotina de milhares de simmers pelo mundo.

Um ano de SimBrief e Charts ficando mais próximos do mundo real

Antes de falar das novidades, a Navigraph recapitula o que já entregou nos últimos 12 meses. O SimBrief ganhou um roteador mais inteligente, capaz de evitar áreas com SIGMET em vez de traçar a rota “linha reta” por dentro de mau tempo severo, aproximando o despacho virtual das decisões reais de companhia aérea. Para quem voa bastante pela Europa, a integração de rotas reais do Eurocontrol finalmente preencheu uma lacuna que usuários focados na América do Norte quase não percebiam.

No lado do Navigraph Charts, o foco recente foi ampliar a cobertura VFR. As cartas VFR da Rogers Data para toda a Europa passaram a fazer parte da assinatura ilimitada, junto com as cartas VFR Jeppesen que cobrem cerca de 2.000 aeroportos europeus com diagramas, procedimentos, pontos de notificação e waypoints específicos para voo visual. Para quem curte helicóptero, as seccionais de helicóptero da FAA nos EUA trouxeram rotas de baixa altitude, obstáculos, relevo e espaços aéreos detalhados em torno das grandes áreas metropolitanas.

Scratchpads digitais e a transição do papel para a tela

Uma das promessas que demorou, mas chegou, foram os scratchpads digitais no Charts, finalmente lançados poucas semanas antes do FSWeekend depois de terem sido mostrados no FSExpo 2025. A ideia é simples, mas poderosa: permitir que o piloto anote dentro do próprio app informações de ATC, ATIS, dados de performance e qualquer outro detalhe que antes ia para o bloquinho de papel ao lado do joystick ou do yoke.

Para quem usa iPad com Apple Pencil, a experiência fica ainda mais próxima do mundo físico, com suporte a caneta e escrita livre diretamente sobre a interface. É um passo claro na direção de transformar o tablet em um EFB completo, reduzindo a necessidade de alternar entre aplicativos ou manter papel espalhado pela mesa, algo que atrapalha especialmente em voos IFR mais intensos em aeronaves complexas como PMDG e Fenix.

Três novas funções anunciadas para o Navigraph Charts

O anúncio principal em Lelystad foram três novas funções que chegam já na próxima versão do Navigraph Charts 8, segundo a própria equipe, sem data exata mas com a promessa de que será “bem em breve”. Todas foram demonstradas ao vivo em um iPad e estarão incluídas na assinatura atual, sem cobrança adicional, o que reforça a estratégia da empresa de agregar valor contínuo ao pacote único.

A primeira novidade são os approach feathers, uma sobreposição automática na carta da aproximação ILS ou baseada em instrumentos, exibindo curso, frequência, identificador em Morse e se o procedimento é front course ou back course, com sombreamento visual que deixa essa diferença óbvia de imediato. O recurso também contempla localizadores offset, como os usados em aeroportos cercados por terreno complicado, caso de Bodø, na Noruega, ajudando o simmer a entender melhor o eixo de aproximação antes de ir visual.

Ferramentas visuais para VFR e planejamento fino

A segunda função anunciada são as extended runway centrelines, pensadas principalmente para voo VFR. Linhas se estendem a partir de cada cabeceira na direção de aproximação, com comprimento proporcional ao tamanho da pista e marcações de uma milha náutica por segmento. No exemplo mostrado com Stockholm Arlanda, todas as direções de pista apareciam na tela, deixando muito mais intuitivo o circuito de tráfego e as aproximações visuais em aeroportos grandes e complexos.

Fechando o pacote, a Navigraph finalmente atendeu a um pedido antigo: uma ferramenta de medição dentro do Charts. O usuário pode colocar múltiplos pontos na carta e medir distância e proa entre eles, com suporte a vários trechos em sequência. Na demonstração, a equipe mediu o taxi do pátio em Amsterdam Schiphol até o ponto de espera Victor 4 da pista 36L, chegando a pouco menos de duas milhas e meia náuticas, tudo isso funcionando igualmente bem em desktop e dispositivos touch. De quebra, a empresa ainda mencionou uma integração de fonte de ATIS em tempo real, exibindo o relatório ativo quando uma pista aparece marcada como não utilizada, dando contexto imediato para a escolha de pistas no planejamento.

Resumo e Análise Editorial FlightSimBR

A Navigraph mostra mais uma vez que prefere evolução constante a grandes revoluções: approach feathers, centrelines estendidas e a ferramenta de medição não são recursos “de marketing”, mas sim melhorias práticas que encurtam o caminho entre carta e decisão operacional, especialmente para quem já vive com SimBrief e Charts abertos em todo voo; para o simmer hardcore IFR e para quem voa VFR sério, o pacote reforça a assinatura como quase obrigatória, mas a falta de datas mais claras e de algo realmente disruptivo também indica que a empresa está em modo refinamento, não em ruptura.

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