O BeyondATC detalhou o Stage Two do seu ATC avançado para MSFS 2020 e MSFS 2024, focando em transformar voos VFR em algo muito mais próximo de um “mundo aberto” e, de quebra, dando um bom upgrade na experiência IFR. A atualização ainda está em testes internos e chegará primeiro no branch Experimental, mantendo o VFR como recurso em desenvolvimento por etapas.


Desde o Stage 1, lançado em abril, o VFR do BeyondATC era basicamente local: circuito, táxi, decolagem e pouso no mesmo aeródromo, com o silêncio absoluto assim que se saía da área de controle. O Stage Two mira exatamente essa limitação estrutural, com uma nova lógica de carregamento de aeroportos e serviços de rádio que acompanha o voo em rota.
Outro ponto importante é que o pacote não é “só VFR”: o mesmo sistema dinâmico de aeroportos, a expansão de frequências e a nova toolbar dentro do simulador também beneficiam quem voa IFR pesado com airliners.
Aeroportos dinâmicos e VFR sem cerca invisível
O grande destaque do Stage Two é o carregamento dinâmico de aeroportos. Em vez de ficar preso apenas à origem e ao destino do plano de voo, o BeyondATC agora passa a carregar, em tempo real, os aeroportos ao redor da sua posição. Isso permite sintonizar frequências, falar com os controladores locais, pousar, decolar e seguir viagem, dando ao VFR uma sensação de continuidade que faltava desde o início do Early Access.
Esse mesmo sistema entra também no IFR: ao longo da rota, será possível ouvir controladores, estações de metar/ATIS e aeroportos próximos, trazendo de volta o “ruído de fundo” de tráfego e comunicações que muitos simmers sentiram falta. Há, porém, duas ressalvas: ainda é obrigatório ter um plano de voo (VFR ou IFR) para que o tráfego seja gerado e os dados sejam carregados com eficiência, e os aeroportos carregados dinamicamente funcionam como “non-player airports”, com tráfego AI iniciando e terminando na pista, sem interação de solo, a menos que o campo esteja no seu plano de voo ou você entre no circuito/pouse ali.
COM2 funcional e nova malha de serviços de rádio
O Stage Two também destrava o COM2 de verdade. Até agora, o segundo rádio servia basicamente para ATIS; com a nova versão, qualquer frequência pode ser sintonizada no COM2, com volume independente e melhor detecção de qual rádio você está realmente monitorando. Por enquanto, o COM2 entra apenas como rádio de escuta, sem transmissão, por limitações técnicas, mas já permite, por exemplo, acompanhar um serviço de radar enquanto ouve torre ou ATIS em paralelo, o que muda bastante a imersão em voos mais movimentados.
Na parte de serviços, o BeyondATC adiciona mapeamento para UNICOM, FIS, FSS, AGCS, AFIS, AWOS, além de LARS e London/Scottish Information no Reino Unido. As frequências de UNICOM passam a vir direto dos dados do próprio simulador, e o sistema ganha chamadas de autoanúncio em UNICOM, SAFETYCOM, CTAF e frequências ar-ar, permitindo declarar intenções em campos não controlados. O tráfego AI ainda não usa essas frequências de broadcast; o time diz que isso virá junto com o pacote de tráfego VFR, e que o Stage Two é a base para esse comportamento futuro.
Regras regionais, LARS no Reino Unido e melhorias globais
Regionalmente, o Stage Two traz um salto de realismo. Nos EUA, o foco está em flight following, com handling de ident, consciência de espaço aéreo Bravo/Charlie/Delta, monitoramento de invasão de espaço aéreo, pedidos de trânsito em Classe B e handoffs coordenados. No Reino Unido, entram basic e traffic services, LARS completo, AFIS, AGCS, London e Scottish Information, transitos de CTR, Visual Reference Points e Altitude Setting Regions, além de um retrabalho de chegadas e partidas para lidar melhor com VRPs e corredores específicos. Austrália recebe flight following e estações AWIS, enquanto a Nova Zelândia passa a seguir regras VFR australianas, e o Canadá continua com regras baseadas na FAA; fora dessas regiões, o usuário pode escolher qual conjunto de regras aplicar.
Globalmente, o BeyondATC adiciona sistemas de alerta de tráfego, distribuição de códigos de transponder mais inteligente por região, novos tipos de espaço aéreo, detecção de callsigns parecidos (forçando uso de callsign completo quando há conflito), suporte a pequenos campos privados sem dados de cenário, tratamento mais limpo de frequências incluindo 8,33 kHz e um modelo de carga de trabalho do controlador que pode segurar o piloto fora do espaço controlado ou negar pedidos quando o setor estiver saturado. Um detalhe interessante é o suporte a “chained requests”: em alguns controladores, já é possível combinar pedidos em uma única transmissão, como solicitar informações de aeródromo e táxi ao mesmo tempo, aproximando o fluxo de fraseologia do que se vê na aviação real.
Toolbar V3 no MSFS e o que ainda falta chegar
Para quem voa em VR ou em cockpits dedicados, o Stage Two traz também uma Toolbar V3 totalmente refeita para MSFS 2020 e 2024. A antiga página de D-ATIS vira um painel unificado de frequências, é possível iniciar e encerrar voos direto pela toolbar, há suporte a turnaround, várias configurações comuns ficam acessíveis ali mesmo (incluindo o toggle de mapa de táxi no MSFS 2024) e toda a interface agora escala melhor em diferentes tamanhos de tela. A nova toolbar será liberada junto com o Stage Two no branch Experimental e só depois migrará para o Early Access, já que exige mudanças no cliente.
Mesmo com todas essas novidades, o BeyondATC deixa claro que o pacote VFR ainda está incompleto: o tráfego VFR propriamente dito ficou para o Stage Three, que será liberado de forma escalonada, começando por tráfego em rota para dar vida a flight following, traffic services e frequências de broadcast, e depois avançando para aeroportos, circuitos e aeronaves AI transitando o espaço aéreo ao seu redor. No IFR, o Stage Two já traz melhorias de deconfliction e novas chamadas de tráfego, mas o time admite que o vetoramento e a separação de VFR ainda precisam de bastante trabalho, algo que será refinado durante o período experimental. Não há data de lançamento: o Stage Two está na fase final de testes internos, continuará restrito ao branch Experimental (que exige o Supporter Pack de US$ 59,99) e só depois, quando os três estágios VFR estiverem completos, o recurso migrará para o Early Access padrão, acessível a todos que compraram o BeyondATC base por US$ 29,99.
Resumo e Análise Editorial FlySimBR
O Stage Two do BeyondATC parece atacar justamente o maior gargalo do VFR no MSFS: a sensação de mundo vazio fora do circuito, ao mesmo tempo em que dá um ganho real de imersão para quem voa IFR com mais ruído de fundo, regras regionais e lógica de carga de trabalho de controlador; ainda assim, o fato de tráfego VFR completo ficar para um Stage Three e de tudo continuar preso ao branch Experimental pago indica que o projeto segue ambicioso, mas com entrega fracionada e dependente da paciência – e do bolso – dos early adopters.


