iniBuilds detalha A380 no MSFS 2024 e anuncia A350 V2
A iniBuilds publicou um longo update de desenvolvimento focado em dois projetos-chave para o ecossistema Microsoft Flight Simulator 2024: o aguardado A380 Airliner e o A350 Airliner V2, que chega como grande reformulação da linha widebody da casa. Nada de datas ainda, mas já dá para enxergar com clareza o nível de ambição – e também as concessões que o estúdio decidiu fazer em relação ao MSFS 2020.
No A380, o foco do update está em sistemas de solo, integração com GSX, refinamentos de flight deck e um modelo de voo que explora as novas APIs do MSFS 2024. Já no A350, a iniBuilds confirma oficialmente que o V2 será exclusivo do MSFS 2024, gratuito para quem já comprou, e que o desenvolvimento ativo da versão 2020 será encerrado após essa transição.
A380 Airliner: operações de solo, EFB e cabine mais viva
O A380 da iniBuilds está ganhando um sistema de persistência completo: combustível, posições de switches, condições de sistemas e até água potável e resíduos ficam gravados entre sessões. Se o piloto ignorar o serviço de água por vários trechos, o resultado pode ser banheiro e até shower de primeira classe inoperantes, algo que aproxima o addon de uma simulação de linha aérea de longo curso, e não apenas de um “voo único” isolado. Essa lógica conversa com o suporte nativo à iniBuilds Multi-Jetway Technology, permitindo múltiplas jetways conectadas simultaneamente aos dois decks em aeroportos compatíveis, algo essencial para o gigante.
No cockpit, o EFB e o OIS foram turbinados. O tablet traz um take-off performance calculator mais completo, com cálculo de V-speeds, FLEX e margem de parada levando em conta peso, configuração, pista, condição de pista e clima, incluindo decolagens por interseção. O OIS passa a integrar o domínio NSS Avionics, com caixa de entrada dedicada para mensagens AOC e campos mais ricos de identificação de tripulação. Há melhorias de usabilidade, como teclado numérico em layout de numpad, busca de cartas com paginação e suporte a Lido multi-página, além de um Notification Centre no EFB e integração GSX V2 com lógica revisada, notificações dedicadas e painel de status de serviços de solo.
Flight deck, dinâmica de voo e falhas no A380
A iniBuilds está claramente mirando o público hardcore no A380. As Display Units podem ser gerenciadas de forma independente, facilitando setups multi-monitor e home cockpit. O addon inclui RAAS integrado, com callouts de pista durante taxi, alinhamento e saída, além de Brake to Vacate (BTV) para prever saída de pista e tempo de giro. O fly-by-wire recebeu lógica PRIM refinada, atrasos de resposta mais realistas e ajustes de estabilidade, enquanto o Vertical Situation Display foi retrabalhado para mostrar melhor terreno, restrições e perfil de descida. O radar meteorológico aproveita novas APIs do MSFS 2024, com tilt e azimute ajustáveis para varrer precipitação de forma mais crível.
No modelo de voo, o destaque é o tratamento do trem de pouso e da interação com o solo. O A380 usa o novo sistema de suspensão do MSFS 2024, com steering funcional no body gear e múltiplos pontos de contato para simular a compressão progressiva dos bogies no toque, evitando o efeito de “bloco rígido” típico de addons mais simples. Há leis de rotação específicas para o A380, adaptando a resposta em pitch ao enorme range de peso de decolagem, e um sistema de wing flex dinâmico, que reage em tempo real a carga aerodinâmica, turbulência e peso, em vez de animações pré-cozidas. O pacote de falhas foi reorganizado por ATA, com cenários como vazamento de combustível, perda gradual de pressurização e panes independentes de Display Units, que podem ser disparados de forma imediata ou aleatória, inclusive ainda em solo.
A380: eras, motores e visual no MSFS 2024
Um ponto interessante é a possibilidade de “escolher a era” do A380 via EFB. O usuário alterna entre configuração Early-MSN (Batch 2) e Modern-MSN (Batch 7), o que muda não só rótulos, mas filosofia de FMS, lógica de flight guidance, comportamento de displays, proteções e até checklists, permitindo simular desde um A380 de Air France em 2010 até um Emirates atual com sistemas mais maduros. A escolha de motores também não é cosmética: Trent 900 e GP7200 são tratados como variantes distintas, com geometrias externas próprias, sons, dinâmica de spool, resposta de empuxo e indicações de cockpit específicas para cada família, refletindo as diferenças entre arquitetura de três e dois eixos.
Do lado visual, o modelo externo passou por nova rodada de refinamentos, especialmente nas asas, que agora se integram de forma mais convincente ao wing flex dinâmico, mantendo spoilers e superfícies de controle “coladas” à deformação da asa. Motores, barriga e parte inferior da fuselagem ganharam mais detalhes, e o Walkaround Mode do MSFS 2024 é explorado com painéis interativos de ar-condicionado, GPU, acesso ao APU e pontos de serviço de água e resíduos conectados diretamente aos sistemas simulados e integrados ao GSX. Immersion FX incluem spray de água de pneus e motores, vórtices, heat blur em motores e APU, contrails customizados, efeitos de fuel jettison e feedback visual para bird strike, falha de motor e tail strike, com faíscas e dano visível na fuselagem.
A350: update imediato e anúncio do Airliner V2 exclusivo 2024
Enquanto o A380 avança, o A350 segue em duas frentes. A primeira é o A350 Systems and Performance Update 1 (v1.2.7) para o produto atual, mirando estabilidade, planejamento de voo, navegação e handling. A iniBuilds cita melhorias de robustez ao inserir pistas, STARs e transições, importação de planos SimBrief em casos de borda, comportamento de auto-save em pausa, criação de alternates, waypoints along-track, tratamento de restrições após DIR TO e ajustes de VNAV. Há ainda refinamentos em áudio de navaids, pressurização em cruzeiro, lógica de climb derated, apresentação de curso ILS pós-pouso e resposta em pitch/roll com proteções de bank-angle mais críveis.
A segunda frente é o anúncio do A350 Airliner V2, descrito como um upgrade de núcleo, não apenas um “patchão”. O V2 será exclusivo do Microsoft Flight Simulator 2024 e gratuito para todos os donos atuais do A350. Com isso, a iniBuilds confirma que, após o V2, o MSFS 2024 será a única plataforma em desenvolvimento ativo para o A350; a versão MSFS 2020 continuará vendida “como está”, mas sem novos recursos. A justificativa é técnica: manter paridade entre gerações estaria travando o que o estúdio quer entregar em termos de profundidade e uso das novas APIs do 2024.
A350 V2: cockpit refeito, variantes e sistemas mais profundos
No A350 V2, o cockpit está sendo praticamente reescaneado com novos dados, permitindo corrigir proporções, posições e formas de painéis, controles e estruturas, e revisitar toda a arte interna para um ambiente mais coerente. Externamente, a iniBuilds promete separar de vez o A350-900 do A350-1000 em termos de geometria de asa e proporções, abandonando o modelo mais genérico que hoje serve aos dois. O Head-Up Display terá lógica e simbologia retrabalhadas para responder melhor a modos de voo, configuração e condições, enquanto EFB e OIS serão reestruturados para integrar-se de forma mais orgânica aos sistemas, com mais detalhes prometidos em updates futuros.
O V2 também trará um novo sistema de falhas, acompanhado de revisões profundas na lógica de sistemas e no ECAM. A ideia é aproximar a organização de falhas e anomalias do que se encontra na documentação real, com estados de sistema mais bem representados e alertas ECAM que reflitam de forma mais fiel o que está acontecendo “por baixo do capô”. A iniBuilds deixa claro que o que foi mostrado agora é apenas uma fatia do trabalho em andamento e que mais detalhes de cockpit, exterior e sistemas serão revelados conforme o desenvolvimento avançar.
Resumo e Análise Editorial FlySimBR
O recado da iniBuilds é claro: o A380 está caminhando para ser um dos addons mais completos já feitos no MSFS 2024, com foco pesado em operações de linha aérea, falhas e imersão visual, enquanto o A350 V2 marca uma ruptura definitiva com o MSFS 2020 em nome de mais fidelidade técnica; para o simmer brasileiro isso é ótimo em termos de qualidade, mas também consolida a pressão para migrar de vez para o 2024 se você quiser acompanhar o topo de linha do mercado.


