Review X-Crafts ERJ Family 2.0 para X-Plane 12
Quase sete anos depois da primeira geração para o X-Plane 11, a X-Crafts volta aos holofotes com o ERJ Family 2.0, agora totalmente retrabalhado para o X-Plane 12. A família cobre os clássicos regionais brasileiros ERJ135, ERJ140, ERJ145, ERJ145XR e o executivo Legacy 650, com novos modelos 3D, texturas modernas, sistemas customizados, EFB funcional e a camada de assistência interativa batizada de AirComms.
Para quem sempre viu os ERJ como o “patinho feio” perto dos E-Jets, esta versão 2.0 tenta justamente o oposto: transformar o jato regional em protagonista, com foco em pilotagem manual, gerenciamento fino de energia e uma experiência bem mais próxima do que se espera de um addon de alto nível no X-Plane 12.



Primeiros voos e filosofia Embraer
Mesmo para quem nunca encostou em um Embraer no simulador, o cockpit do ERJ surpreende pela simplicidade visual e lógica clara. A X-Crafts inclui dois manuais dedicados (Expanded Checklist Guide e FMS manual), e um dos desenvolvedores, comandante de ERJ na vida real, publicou voos completos e vídeos explicando sistemas e procedimentos, o que ajuda bastante na curva de aprendizado.
Depois de poucas pernas, a filosofia Embraer começa a fazer sentido e o jato vira um daqueles aviões que você liga quase no automático: do cold and dark até a partida dos motores em pouco mais de sete minutos é totalmente factível. A ausência de auto-throttle é o choque inicial para quem vem de Airbus, 737 ou 777, mas o autoflight se comporta bem, com apenas algumas curvas mais agressivas ocasionais do piloto automático para se manter na rota lateral.
Modelagem, texturas e a estrela chamada Legacy 650
O ponto que mais salta aos olhos é o nível de desgaste e detalhamento visual. O cockpit mostra pintura descascando em pedais, alavancas e manetes, empunhadura do yoke gasta, botões com pequenas imperfeições e placas riscadas, tudo com um ar de jato regional que já rodou muito trecho curto. Por fora, o mesmo cuidado: sujeira de óleo em estabilizadores, marcas de reverso, manchas de combustível perto dos fuel caps e trem de pouso ricamente modelado, com direito a opção de rodas limpas ou sujas no EFB.
A cabine de passageiros é competente, mas quem rouba a cena é o Legacy 650. A versão executiva recebeu interior praticamente novo, com texturas de couro, mesas e painéis laterais em nível de addon de business jet dedicado. Persianas e mesas são interativas, há três TVs que podem exibir slides da X-Crafts ou AviTab (incluindo Navigraph Charts), e um painel de controle próximo à porta permite gerenciar iluminação e persianas. Cada poltrona ainda conta com tela própria para ajuste de luz de leitura, elevando bem o padrão de imersão.




Sistemas, FMS Honeywell e modelo de voo
Os ERJ da X-Crafts representam a configuração mais moderna, equipada com Honeywell FMZ FMS, em vez do antigo UNS-1. O pacote não oferece A/T nem VNAV completo, o que muda totalmente a dinâmica de voo: velocidade em cruzeiro e descida exige atenção constante, e o planejamento vertical passa a ser parte ativa da diversão. O FMS traz o essencial (SID/STAR, holds, perf, progress, gravação e carregamento de planos) e um VPI que funciona como VNAV consultivo, ajudando a seguir o perfil calculado sem automatizar tudo.
O comportamento em voo é um dos destaques. Mesmo sem ser um review feito por piloto type-rated, a sensação é de aeronave leve nos comandos, muito agradável de voar na mão. A performance de subida impressiona, com razões acima de 3.500 fpm e picos de 5.000 fpm em algumas situações, exigindo trim bem mapeado no hardware. No pouso, o ERJ é dócil: manter estabilidade, reduzir potência suavemente entre 30 e 20 pés e deixar o jato planar costuma render toques bem suaves, especialmente para quem está acostumado a widebodies mais pesados.




Som, desempenho e EFB com AirComms
O soundset surpreende pela qualidade de ambiente de cockpit: ventiladores de aviônicos ganhando vida, cliques de knobs, travas de switches e o estalo dos barramentos elétricos foram recriados com cuidado. Os motores podem soar discretos demais para alguns, mas isso reflete o comportamento do real. Flaps têm som muito bem captado, mais perceptível em vista externa, e há até opção de simular fones com noise cancelling via EFB, reduzindo ruído de fundo (com o custo de deixar alertas e callouts mais discretos).
Em termos de performance, o ERJ Family 2.0 se mostrou leve para os padrões do X-Plane 12, mantendo algo em torno de 35–40 fps em cenários médios e cerca de 30 fps em hubs pesados, em um PC com RTX 3060 12 GB, i5-10400 e 16 GB de RAM. O EFB é simples, mas funcional: controla ground services, Weight & Balance com uplink parcial de SimBrief, cálculo de V-speeds para decolagem e pouso, checklists e a interface AirComms, que atua como instrutor virtual, guiando tutoriais, voo demo e emitindo avisos quando você pula etapas importantes. Faltam ainda integração completa com SimBrief e Navigraph Charts nativos no EFB, pontos que a X-Crafts promete avaliar para futuras atualizações.



Pacotes, preços e para quem vale a pena
A X-Crafts segmentou a família em três opções. O pacote Standard traz apenas um modelo (E135 ou E140) por US$ 59,95, mirando quem quer experimentar o ERJ sem abraçar a frota inteira. O nível seguinte é o Advanced, a porta de entrada real para a maioria: por US$ 69,95, você escolhe entre o caminho de passageiros (E135, E140, E145 e E145XR) ou o caminho executivo, que inclui E135, E140 e o Legacy 650.
Para quem não quer escolher lado, existe o Full Family, com os cinco modelos por US$ 139,99. É um valor alto para o padrão do X-Plane, mas entrega um ecossistema completo de regionais e um business jet bem caprichado. Em troca, o piloto virtual recebe um jato que exige gerenciamento ativo de potência e perfil de descida, ideal para quem está cansado do “setar e esquecer” dos airliners mais automatizados.
Resumo e Análise Editorial FlightSimBR
O X-Crafts ERJ Family 2.0 é, hoje, um dos regionais mais interessantes do X-Plane 12: visualmente convincente, com modelo de voo envolvente, sistemas bem resolvidos e um Legacy 650 que eleva o pacote, mas o preço do Full Family é salgado e a ausência de integração completa com SimBrief e Navigraph no EFB pesa em um produto que claramente mira o topo da categoria.


