A Microsoft liberou a Aircraft and Avionics Update 5 (AAU5) para o MSFS 2024, e desta vez o foco não é um grande lançamento isolado como o Boeing 707, mas sim a migração silenciosa de conteúdo legado. Quatro aeronaves históricas que ainda rodavam em modo de compatibilidade do MSFS 2020 foram finalmente reconstruídas como nativas do motor 2024: Bell 47J Ranger, Boeing 307 Stratoliner, Curtiss C-46 Commando e Ford 4-AT Trimotor, todas atualizadas gratuitamente via Content Manager.
Essa conversão nativa é o coração do programa AAU: tirar a frota padrão do limbo técnico, trazendo flight model atualizado, estrutura modular moderna, sistemas revisados e integração total com o modo carreira do MSFS 2024. Segundo Jörg Neumann, mais de 30 aeronaves ainda estão na fila, e cada AAU é um passo para encerrar de vez a herança do 2020 dentro do novo simulador.
A AAU4 já tinha feito esse trabalho com clássicos europeus como Antonov An-2, Fokker F.VII e Latécoère 631; agora a AAU5 mira ícones americanos, reforçando que a estratégia da Microsoft é ir limpando o backlog por blocos temáticos, em vez de tentar resolver tudo de uma vez.
Bell 47J e Boeing 307: clássicos com alma de 2024
O Bell 47J Ranger é o ponto fora da curva do pacote por ser o único helicóptero, e justamente por isso se beneficia bastante da migração. Ele passa a usar o framework nativo de rotorcraft do MSFS 2024, com flight model refinado para pairado mais estável, transição melhor entre voo estacionário e translação e comportamento de sustentação, peso e balanceamento mais crível. A versão com floats também foi revista, e o áudio agora cobre com mais detalhe motor, rotor, transmissão, blade-slap e variações de carga, além de finalmente entrar no circuito das atividades de helicóptero do modo carreira.
Já o Boeing 307 Stratoliner ganha uma atualização mais clássica de fixed-wing: migração para o novo pacote modular, flight model retunado para transmitir melhor inércia e peso em decolagem, cruzeiro e pouso, além de sistemas de cockpit, instrumentos e parte elétrica revisados. O pacote de som foi refeito do zero, do acionamento ao corte dos motores, e o 307 passa a conversar com o modo carreira como qualquer outro avião padrão do MSFS 2024, algo que faltava para quem queria usar o clássico em rotas mais estruturadas.
Curtiss C-46: sistemas elétricos e combustível sob holofote
Entre os quatro, o Curtiss C-46 Commando é o que mais recebe atenção de sistemas. Além da migração de framework e ajustes no flight model para refletir melhor porte e massa do cargueiro, a Microsoft mexeu fundo na parte elétrica e de combustível. O avião agora simula de forma mais convincente os barramentos esquerdo e direito, com comportamento revisto de bateria, aviônicos, alimentação de motores, alternadores, inversores e fonte externa, o que muda bastante a rotina de partida e operação.
No combustível, o C-46 passa a tratar seleção de tanques, roteamento para cada motor e crossfeed de forma mais próxima do real, algo essencial em um transporte de guerra que depende desses sistemas no dia a dia. Para completar, o Commando entra oficialmente nas atividades de carga e transporte do modo carreira, o que deve agradar quem gosta de voar pesado em cenários remotos dentro da estrutura nativa do simulador.
Ford Trimotor: Sperry mais esperto e navegação menos teórica
O Ford 4-AT Trimotor se destaca pelo trabalho no piloto automático Sperry, que sempre foi um ponto sensível para quem queria voar o clássico com um mínimo de auxílio. A AAU5 promete controle mais sólido de banco, pitch e proa, limites e travas mais coerentes e comportamento corrigido em mudanças de potência, reduzindo aquelas reações estranhas quando se mexe nos manetes com o AP engatado. A navegação também foi retrabalhada em torno de VOR, CDI e OBS, aproximando o Trimotor de um perfil de navegação por rádio menos “de enfeite”.
Além disso, magnetos e lógica de controle de motor foram corrigidos, o comportamento de três motores recebeu ajustes finos e o soundscape foi retocado para casar melhor com o novo flight model. Como os demais, o Ford entra de vez no ecossistema de atividades de passageiros e transporte do modo carreira, o que pode dar uma sobrevida interessante ao veterano dentro do MSFS 2024.
ATR 42/72: manutenção de rotina após conversão nativa
O pacote da AAU5 também inclui uma rodada de correções para o ATR 42-600 e 72-600, que já tinham sido convertidos para nativos na AAU4 com CFD novo, integração de carreira e Lido charts. Agora, as versões 1.1.39 e 1.1.40 funcionam como um “pós-op” da grande cirurgia, limpando arestas em situações específicas do modo carreira, principalmente ligadas aos atalhos de skip-to-takeoff e skip-to-taxi, que geravam trim negativo, motor desligando em variantes específicas ou falhando ao dar partida quando o jogador pulava etapas.
A versão 1.1.39 cuida do resto: atitude nariz-baixo após usar Back on Track/Back to Fly, lógica dos geradores, pequenos glitches visuais como mangueira de combustível e cabo de GPU afundados, cintos flutuando, artefato no botão STEEP APPR do cockpit do 72, sonda de gelo sem iluminação, problemas de LOD, luz de falha de GPWS travada e ajuste na indicação de altitude de pouso. Tudo chega via Content Manager do MSFS 2024, sem custo extra para quem já possui as aeronaves.
Resumo e Análise Editorial FlySimBR
A AUU5 não tem o impacto midiático do 707, mas é exatamente o tipo de atualização que mantém o MSFS 2024 tecnicamente coerente: tirar quatro clássicos do modo “gambiarra 2020” e trazê-los para o framework atual, com flight model, sistemas e carreira integrados, vale mais a longo prazo do que mais um avião novo na lista; ainda assim, quem esperava mudanças profundas de nível study-level pode achar o pacote mais uma boa manutenção de frota do que uma revolução, enquanto o ATR segue em ritmo de patch incremental, corrigindo detalhes que deveriam ter vindo polidos desde a conversão anterior.




