Top Mach Studios F-22 Raptor reconstruído para MSFS 2024 em voo

Top Mach refaz F-22 Raptor no MSFS 2024

Microsoft Flight Simulator

Quatro anos depois de estrear no Microsoft Flight Simulator, o F-22 Raptor da Top Mach Studios volta aos holofotes em uma edição totalmente refeita para o MSFS 2024. O estúdio evita chamar o pacote de simples atualização: fala em “quase um novo módulo de aeronave”, resultado de cerca de um ano de trabalho, com preço alinhado a essa proposta mais ambiciosa.

Por enquanto, o novo F-22 está disponível no Marketplace do MSFS para PC, com versões para Xbox e PS5 prometidas mais adiante. A Top Mach também publicou um FAQ detalhado explicando o que mudou, o que foi removido e, principalmente, o que o caça ainda não é capaz de fazer dentro das limitações do simulador.

Segundo o estúdio, o pacote 2024 traz sistemas refeitos, novos recursos, sons e efeitos atualizados, além de melhorias no flight model e em capacidades específicas do jato. Na prática, o que mais salta aos olhos para quem já voava a versão anterior é a forma de configurar o avião: o gerenciamento de cargas externas agora é feito por um app dedicado dentro do EFB nativo do MSFS, com a promessa de que esse painel será expandido no futuro para cobrir menus de configuração e checklists.

Aviónica refeita, EFB e novo fly-by-wire

Grande parte desse trabalho já havia sido antecipada no dev update de abril, quando a Top Mach confirmou que o overhaul de avionics e displays estava concluído, assim como a nova malha 3D interna e externa e os efeitos visuais. O ponto mais sensível era o sistema de controle de voo: o estúdio diz ter implementado um fly-by-wire específico para o MSFS 2024, com lógica própria de limitadores e resposta em alta performance, tentando aproximar o comportamento do que se espera de um caça de quinta geração.

No cockpit, a interação foi redesenhada em torno do ICP. As portas dos porões de armas são abertas via sequência OTHR > BIT > WPN DOORS, ou por comando de teclado para quem prefere bind dedicado. O thrust vectoring é alternado pelo botão DVR, com aviso claro quando está desativado. Modos ar-ar e ar-solo podem ser selecionados, alvos aparecem no tactical situation display e são marcados com duplo clique para seleção e travamento, gerando um shoot cue no HUD quando o master arm está ligado e o alvo está em envelope. A Top Mach também se antecipou à polêmica do HUD: o comportamento “estranho” da escada de pitch é intencional e baseado em documentação da USAF, com opção de voltar ao modo original via HUD CDL 1:1.

Limitações: armas, FBW e planejamento de voo

Apesar de toda a roupagem tática, o F-22 da Top Mach continua preso às regras do Marketplace: não há disparo de armas. Isso também bloqueia jettison funcional de armamento, e até mesmo os drop tanks só podem, em alguns casos, ser liberados via master arm e botão de jettison no painel auxiliar esquerdo, sem animação e com comportamento inconsistente, o que leva o estúdio a recomendar o uso do gerenciador de carga no EFB. Em multiplayer, as armas carregadas por outros F-22 não são visíveis, e a Top Mach não promete correção disso no curto prazo.

Outro ponto é que o fly-by-wire não pode ser desligado: o switch foi propositalmente desativado, com o argumento de que o F-22 real não é projetado para voar sem o sistema de controle de voo e seus limitadores. Já o antigo widget de planejamento G1000/G3000 foi removido para manter compatibilidade com o sistema nativo de plano de voo do MSFS 2024. Agora, o planejamento é feito pelo EFB do simulador, enviando o plano para Avionics & ATC com IFR arquivado ou criando um VFR direto antes de entrar no cockpit.

Preço, upgrade e polêmica com compradores antigos

É no preço que o novo F-22 mais divide opiniões. O módulo completo sai por US$ 35,99, com upgrade de US$ 17,99 para quem possui a versão 2020 comprada no Marketplace. Já quem adquiriu o lançamento original de 2022 via Just Flight fica de fora do desconto: a Top Mach afirma ter abandonado revendedores externos por considerar fracas as proteções antipirataria e, por isso, decidiu não abrir exceção. O estúdio reconhece que parte da base ficará insatisfeita, mas diz que a política não deve mudar.

Sobre o valor do upgrade, a Top Mach classifica o desconto como cortesia, não como direito adquirido, e afirma que chegou a cogitar lançar o F-22 2024 como produto totalmente separado, sem qualquer caminho de atualização. Do outro lado, donos da versão antiga argumentam que US$ 17,99 está acima da faixa de US$ 5 a US$ 10 que virou padrão em upgrades 2020–2024, ainda mais considerando que o F-22 de 2020 continua funcional no MSFS 2024.

Concorrência mais forte no nicho militar

Quando apareceu, o F-22 da Top Mach foi um dos primeiros jatos rápidos realmente críveis no MSFS, ganhando público pela sensação de voo e pela proposta de alta performance em um simulador ainda dominado por aviação geral e airliners. Agora, o cenário é outro: o mercado de militares está mais maduro, com desenvolvedores elevando o nível de sistemas, sensores e até simulação de armamento, mesmo dentro das limitações oficiais da plataforma.

Um exemplo direto é o Dassault Rafale da AzurPoly, que chega ao MSFS 2024 com módulo de armas customizado e radar parcialmente simulado, indo além do que qualquer outro addon militar oferece hoje no simulador. Somando isso a outros projetos já disponíveis, o novo F-22 entra em um ambiente bem mais competitivo, em que só visual bonito e sensação de potência já não bastam para justificar preço premium.

Resumo e Análise Editorial FlySimBR

O F-22 Raptor 2024 da Top Mach claramente representa um salto técnico em relação ao original, com avionics mais coerentes, integração inteligente ao EFB e um fly-by-wire que promete um perfil de voo mais convincente, mas chega caro para quem já investiu no produto e, pior, com uma política de upgrade que ignora parte dos compradores antigos; somando isso à ausência total de armas funcionais em um mercado onde concorrentes já exploram melhor a fantasia tática dentro do MSFS, o pacote parece interessante para quem quer um caça rápido e polido, mas pouco competitivo para quem busca profundidade operacional ou bom custo-benefício.

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