O mercado de hardware para simulação de voo ganhou mais um competidor de peso. Conhecida pelos volantes e pedais acessíveis no mundo do sim racing, a PXN aproveitou a FlightSimExpo 2026 para anunciar a linha NAVOS Series, um ecossistema completo de cockpit pensado para MSFS e outros simuladores, cobrindo desde aviação geral até combate, com yoke, HOTAS, pedais, painéis e software próprio.
Seguindo o caminho já trilhado por marcas como MOZA Racing, a PXN não chegou tímida: em vez de lançar um único produto de teste, apresentou logo um conjunto modular que mira diretamente o segmento intermediário dominado hoje por Honeycomb, Logitech, Thrustmaster TCA e a própria MOZA.
NAVOS Flight Yoke e cockpit civil modular
No lado civil, o destaque é o NAVOS Flight Yoke System, que a PXN descreve como o centro de um cockpit doméstico completo. O yoke usa encoder sem contato no eixo de roll e sensor capacitivo no pitch, ambos com resolução de 16 bits, oferecendo 180 graus de curso lateral e 120 mm de deslocamento longitudinal. Ele vem inicialmente com um módulo de elevator convencional, e a marca já promete um módulo de force feedback como upgrade futuro, algo raro nessa faixa de mercado.
Ao redor do yoke, a PXN posiciona o restante da linha civil. O NAVOS CTRL Pack é um throttle quadrant de quatro eixos com trim wheel de 16 bits, módulos separados para throttle, propeller e mixture voltados à aviação a pistão e um hub USB integrado com doze portas para organizar todo o setup. Completa o conjunto um Console e Radio Panel com tela touchscreen de 5,89 polegadas, botões físicos, knobs dedicados e controle concêntrico para sintonia de frequências, além de pedais de leme em liga de alumínio, dobráveis, com amortecimento ajustável, três ângulos de inclinação e comutação entre layout Airbus e Boeing.
NAVOS HOTAS e foco no público de combate
Para quem prefere dogfight a circuito IFR, a PXN anunciou o NAVOS HOTAS System, combinando manche e throttle dedicados. O stick traz arquitetura de quatro eixos sem deadzone, com perfis de resposta ajustáveis para diferentes estilos de voo, desde acrobacia agressiva até voos mais longos e estáveis. Já o throttle inclui eixo de leme integrado e amortecimento regulável, permitindo dispensar pedais em setups mais compactos.
Segundo a PXN, toda a família NAVOS utiliza sensores Hall-effect de 16 bits, o que, em teoria, garante precisão elevada e ausência de drift ao longo do tempo. A proposta é entregar um HOTAS que converse bem tanto com caças modernos quanto com jatos de ataque e aeronaves históricas, sem obrigar o usuário a mergulhar em menus complexos de calibração a cada troca de perfil.
Software Nexus e promessa de acessibilidade
A narrativa da PXN gira em torno de acessibilidade: a empresa afirma que o hardware de alto nível para simulação de voo continua caro e complicado demais para iniciantes, e posiciona o NAVOS como uma porta de entrada intermediária, com boa fidelidade sem exigir doutorado em mapeamento de eixos. O coração dessa promessa é o Nexus, plataforma de software que deve oferecer presets de um clique para simuladores suportados, configurando bindings e curvas de resposta automaticamente, acionados a partir de um pequeno display embutido no próprio yoke.
Para reforçar a ideia de sistema amigável, a PXN destaca módulos que se encaixam sem ferramentas, clamp de mesa integrado e alavancas intercambiáveis no throttle quadrant em estilos de aviação geral, Boeing e Airbus. A marca chega a chamar o NAVOS de “sistema de alta fidelidade mais acessível do mercado”, uma declaração ousada em um segmento onde preço, durabilidade e suporte de software costumam separar promessas de realidade.
Concorrência forte, preços desconhecidos
O NAVOS entra direto no miolo mais disputado do mercado, brigando com setups consolidados como Honeycomb Alpha/Bravo, Logitech e a linha TCA da Thrustmaster, além do ecossistema da MOZA. A estratégia modular, que permite começar com um único componente e ir expandindo, faz sentido para o público de MSFS que monta o cockpit aos poucos, e a ficha técnica coloca a PXN no mínimo como concorrente tecnicamente relevante.
Mas há um ponto crítico: a PXN ainda não divulgou nenhum preço nem datas de lançamento para os produtos NAVOS. Para uma linha que se vende principalmente pela relação custo-benefício, essa é justamente a peça que falta no quebra-cabeça. Também permanecem em aberto a qualidade de construção real, o suporte de longo prazo ao Nexus e como o conjunto vai se comparar, na prática, com marcas que já conquistaram a confiança dos simmers ao longo de anos. A empresa fala em acessórios extras — módulos de switches, painéis de instrumentos e soluções de montagem — chegando entre o segundo semestre de 2026 e o primeiro de 2027, mas, até que vejamos unidades em uso e tabelas de preço, o valor do NAVOS continua apenas no papel.
Resumo e Análise Editorial FlySimBR
O PXN NAVOS chega com um ecossistema surpreendentemente completo para um estreante em simulação de voo, com especificações modernas, modularidade inteligente e um software que, se funcionar como prometido, pode simplificar muito a vida de quem voa no MSFS; porém, sem preços, datas e provas concretas de robustez, o anúncio soa mais como um manifesto de intenções do que uma ameaça imediata a Honeycomb, Thrustmaster e companhia, então vale acompanhar de perto, mas segurar o cartão até os primeiros reviews sérios aparecerem.







